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Notícia

Apesar de 'incertezas', FMI prevê retomada do crescimento no Brasil em 2017


Após encolher por dois anos seguidos, a economia brasileira deve voltar a crescer em 2017, segundo um relatório do FMI (Fundo Monetário Internacional) divulgado nesta terça-feira (19).


Em estudo sobre o estado da economia global, o órgão elevou em 0,5 ponto percentual as projeções para o desempenho do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro tanto em 2016 quanto em 2017.


Segundo o fundo, a economia do país encolherá 3,3% em 2016 e crescerá 0,5% em 2017.


O último ano em que o PIB brasileiro (soma de todos os bens produzidos e serviços prestados no país) cresceu foi 2014, quando aumentou 0,1%. Em 2015, encolheu 3,8%.


O órgão diz que a confiança dos consumidores e empresários brasileiros parece já ter atingido seu ponto mais baixo e que a contração econômica no primeiro trimestre de 2016 foi menor que a esperada, num possível sinal de atenuação da piora nos índices do país.


"Consequentemente a recessão em 2016 está agora projetada para ser levemente menos severa, com um retorno ao crescimento positivo em 2017", afirma o texto.


O fundo diz, no entanto, que as incertezas políticas no Brasil se mantêm e nublam o cenário futuro do país.


Melhor só que o Japão


Apesar da melhora, a economia brasileira ainda terá resultados piores que os da maioria dos países em 2016 e 2017.


Na média das nações da América Latina e Caribe, o PIB encolherá 0,4% em 2016 e crescerá 1,6% em 2017.


Segunda maior economia latino-americana, o México crescerá 2,5% em 2016 e 2,6% em 2017.


Entre as 16 principais economias do mundo, o Brasil terá o pior resultado em 2016 e só crescerá mais em 2017 que o Japão, onde o PIB deve ter alta de 0,1%.


A melhora nas projeções do FMI para alguns países emergentes, principalmente Brasil e Rússia, amenizaram o impacto do "Brexit" (anúncio de que o Reino Unido deixará a União Europeia) na economia global.


O órgão baixou em 0,2 ponto porcentual a projeção de crescimento do Reino Unido (quinta maior economia do mundo) neste ano e em 0,9 no próximo. Ainda assim, o PIB britânico deve crescer 1,7% em 2016 e 1,3% em 2017.


O FMI afirma que o "voto pelo 'Brexit' implica um substancial aumento na incerteza econômica, política e institucional, o que deve ter consequências macroeconômicas negativas especialmente em economias avançadas europeias".


Embora avalie que ainda é muito difícil quantificar as repercussões do voto, o fundo diminuiu as projeções de crescimento em 2017 para Alemanha, França, Itália e Espanha.


Já no resto do mundo, diz o FMI, o impacto do "Brexit" até agora foi relativamente pequeno.


Segundo o órgão, as projeções atuais sobre os efeitos da saída britânica supõem que a União Europeia e o Reino Unido evitarão um grande aumento nas barreiras econômicas ou uma grave ruptura no mercado financeiro.


O relatório do fundo aponta ainda resultados econômicos melhores que os esperados na China, num reflexo de sua política de estímulos financeiros.


O órgão diz que, embora a indústria e o comércio globais venham sofrendo com a transição da economia chinesa (que passa a enfocar mais seu mercado interno e a crescer a taxas menores), houve nos últimos meses uma retomada das atividades por causa de investimentos em infraestrutura na China e dos maiores preços de petróleo.


Refugiados, clima e zika


O FMI diz ainda que muitos exportadores de matérias-primas - caso do Brasil --enfrentam a "necessidade de ajustes fiscais consideráveis" e precisam estar alertas para riscos de instabilidade financeira.


Quanto às economias mais avançadas, afirma que divisões políticas podem prejudicar esforços para lidar com a questão dos refugiados.


"Tensões geopolíticas, revoltas armadas domésticas e terrorismo também estão tendo um forte impacto no cenário de várias economias, especialmente no Oriente Médio, com ramificações além das fronteiras."


Outras preocupações citadas pelo FMI são fatores climáticos --como a seca no leste e sul da África-- e doenças como a zika, que tem afetado principalmente países latino-americanos e caribenhos.



Fonte: uol



19/07/2016

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